Uma
tragédia familiar
Conheci mais recentemente a viúva de
Marco Eli Chereze e suas filhas, personagens que agregam um
valor particularmente dramático à história
do Caso Varginha. Quando observamos o episódio no ângulo
dos envolvidos, vemos que ele engloba uma tragédia
familiar e acordamos para o fato de que já é
hora de percebermos que as vítimas desse caso não
estão apenas de um lado da história. Por mais
que fossem diferentes de cada um de nós, as criaturas
capturadas em Varginha são fruto de um processo evolutivo
semelhante ao que nós tivemos, que aparentemente se
alastrou pelo universo. Os seres recolhidos pelo Exército
tinham, tal como nós, pernas, braços, tronco
e cabeça. Não eram monstros de tentáculos
semelhantes a polvos, nem tinham garras como caranguejo, tipos
tão propalados em filmes de ficção científica
hollywoodianos.
Mas se muito já sabemos sobre o caso, tenho a clara
percepção, da mesma maneira que os parceiros
ufólogos Ubirajara Rodrigues e Claudeir Covo, que provavelmente
não temos conhecimento sequer de 30% de toda a história.
Cada uma de nossas principais testemunhas militares, por exemplo,
tinha conhecimento apenas dos fatos em que esteve envolvida
diretamente. Dentro da Escola de Sargentos das Armas, a instituição
militar que comandou as operações no sul de
Minas, era proibido falar no assunto – a desobediência
seria punida com prisão sumária do infrator.
A maior parte de seu contingente nunca travou contato com
as informações sobre o caso, que estavam em
poder unicamente do comando da instituição.
O assunto atingiu um nível de segurança tão
elevado que manobras de acobertamento foram coordenadas por
membros da inteligência do Exército, durante
as próprias operações. Uma das coisas
mais difíceis do Caso Varginha era que a verdade tinha
que ser encoberta não só da população,
mas também do maior número possível de
militares da própria ESA.
Vários oficiais de alta patente detinham controle das
informações, provavelmente aqueles 70% que os
ufólogos nunca conseguiram obter, apesar de seus esforços.
O general-de-brigada Sérgio Pedro Coelho Lima, comandante
da instituição, controlou o fluxo de dados com
mãos de ferro, apesar de uma visível inaptidão
para lidar com a imprensa.
Alguns de seus auxiliares diretos também estariam envolvidos
nas manobras de acobertamento de informações,
que incluem repressão aos militares de forma geral.
Outro militar de alta patente envolvido com os episódios
no sul de Minas é o sub-comandante da ESA na época
dos fatos, coronel João Luiz Penha de Moura, cuja identidade
apenas raras vezes foi relacionada ao caso. Até então,
os ufólogos não tinham ligado seu nome à
captura de seres extraterrestres na região. Enquanto
muita gente ainda acreditava que o Caso Varginha fosse algo
cômico e motivo de piada, como caracterizou o episódio
do programa Casseta & Planeta, pessoas estavam sendo pressionadas,
ameaçadas e até presas – e não
apenas ao que se refere ao episódio de 05 de maio,
já relatado.
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