Irritação
dos militares
A
parte mais ilustrativa e interessante desse documento, está ligada aos depoimentos supostamente prestados
por vários militares que tiveram, segundo nossas fontes,
envolvimento nas operações de captura e transporte
das criaturas para fora de Minas Gerais, ou no processo de
acobertamento. Esses depoimentos teriam sido prestados ao
coronel Renê Jairo Fagundes, responsável pela
referida sindicância – outro nome diretamente
envolvido com o caso e a política de sigilo da ESA,
que ainda não havia sido divulgado.
Aparentemente, segundo a documentação a que
tivemos acesso, todos os depoentes tiveram que responder se
conheciam ou tinham tido algum tipo de contato com os pesquisadores
Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini. Os militares
revelavam também onde estavam nas datas e horários
críticos relacionados ao caso, e o que faziam nesses
momentos, o que era uma das indagações que o
general Lima não respondera na entrevista à
imprensa. Estas páginas informam ainda, em termos gerais,
o nome de testemunhas – geralmente outros militares
– que poderiam confirmar a versão do suposto
depoente. Não é muito difícil de se imaginar,
especulando-se um pouco, que os procedimentos desta sindicância
foram inspirados em boa parte nos questionamentos feitos ao
general Lima pelo já mencionado jornalista que o interpelou
(sobre o que estavam fazendo os militares nas datas e horários
divulgados pelos ufólogos), que o deixou tão
irritado.
O mais impressionante é uma informação
que recebemos de outra fonte, que serviu durante muitos anos
na ESA e hoje reside no norte do país. Segundo ele,
pelo menos parte dos depoimentos constantes em tal sindicância,
que constituem a documentação a que tivemos
acesso, não foi prestada no sentido literal. De acordo
com nossa nova fonte, não passariam de uma peça
de ficção criada dentro do processo de acobertamento,
desenvolvida para que os militares envolvidos com a história
– principalmente os que possuíam patentes inferiores
– assinassem e se comprometessem com a política
de sigilo.
Ainda segundo tal informante, cujo nome ainda não pode
ser revelado, havia um temor por parte do comando da ESA de
que um ou mais dos militares envolvidos no Caso Varginha se
desligassem do Exército e revelassem a verdade. Se
isso acontecesse, pelo menos na visão limitada dos
que imaginaram e desenvolveram a idéia da sindicância,
o Exército teria em mãos uma outra versão
para ser utilizada em defesa da “verdade oficial”.
Esses documentos apresentam detalhes como a filiação
dos depoentes, os números de suas identidades militares
e suas declarações perante o sindicante, coronel
Fagundes. Mas eles não estão assinados, ou melhor,
não são as cópias assinadas, que imaginamos
terem sido posteriormente arquivadas.
Por exemplo, na página referente ao suposto depoimento
do comandante das operações, o tenente-coronel
Santos, existem várias perguntas cujas respostas não
estão impressas, o que não acontece nas páginas
referentes aos demais depoentes. As respostas adequadas não
haviam ainda sido estabelecidas? Isso tudo fortalece a idéia
que nosso segundo colaborador, relacionado a este aspecto
do caso, está mesmo falando a verdade. Colocamo-nos
diante de uma peça de ficção, mas de
sérias conseqüências. De algo com dupla
finalidade: preservar a versão oficial da ESA e fazer
pressão sobre os membros de seu contingente. Essa pressão,
ao contrário do documento que a gerou, não é
ficção.
|