Manobras
de acobertamento
A
partir daquela data ficava claro, pelo menos para parte da
imprensa, que algo de grave estava sendo encoberto. O general
Lima não voltaria a falar sobre o caso publicamente.
Procurado dias depois pelo jornalista Goulart de Andrade para
uma entrevista, segundo o próprio jornalista, Lima
teria dito que recebera ordens de Brasília para não
mais se pronunciar. Mas algo muito sinistro estaria sendo
planejado dentro da ESA, para abafar a propagação
do caso, uma manobra que se mostraria inócua, face
ao volume de evidências acumuladas pelos ufólogos.
A partir do que havia sido divulgado na reunião de
04 de maio, também ficava evidente para o comando da
ESA que, apesar das pressões que fazia para a manutenção
do sigilo em torno do Caso Varginha, membros de seu contingente
não estavam tão dispostos a manter o acobertamento
quanto se imaginava. Na visão de tal comando, algo
precisava ser feito. Assim, por um lado, era necessário
identificar nossos informantes, aqueles que estavam colaborando
com os investigadores civis, e, por outro, criar um tipo de
mecanismo que exercesse ao mesmo tempo maior pressão
sobre aqueles que tinham algo realmente a revelar e atenuar
o impacto de uma declaração pública de
um dos envolvidos diretamente com os fatos. A ESA estava trabalhando
contra o relógio. A partir dessas necessidades, foi
deflagrada no dia 10 de maio uma sindicância interna
na instituição, através da portaria militar
número 033-AJ-G2. O documento que a criou, ao qual
tivemos acesso recentemente, através de um de nossos
informantes militares, é assinado pelo próprio
comandante da instituição, o general Lima.
Por incrível que possa parecer, as primeiras páginas
dessa documentação, se forem examinadas sem
maior cuidado, podem dar a entender que ela foi criada para
que o comando da ESA conseguisse descobrir se seus membros
e equipamentos tiveram ou não ligação
com os fatos denunciados pelos ufólogos. Por exemplo,
se transportaram ou não uma criatura extraterrestre
para fora da cidade de Varginha. Mas será que o general
Lima precisava desta sindicância para ter respostas
desse tipo? É claro que não! Dois dias antes,
em seu pronunciamento aos jornalistas, numa tentativa de convencê-los
de que tudo não passava de uma fantasia, o general
Lima já havia afirmado que nenhum membro do contingente
da instituição ou mesmo quaisquer recursos ligados
à ESA tinham tido qualquer forma de participação
nos fatos que estavam sendo divulgados pela imprensa.
Algumas
Instituições Envolvidas
no Caso Varginha: o Corpo de Bombeiros da cidade e a Escola
de Sargentos das Armas (ESA), de onde partiram os homens que
capturaram os seres. E os hospitais Regional do Sul de Minas
e Humanitas, ambos de Varginha, para onde a segunda criatura
foi levada
|