O
sul do Estado de Minas Gerais raramente sofre manifestações
mais bravias da natureza. De súbito podem precipitar chuvas
fortes e em poucas ocasiões algumas construções
já sofreram desabamento de
paredes e os telhados foram aos ares. A tempestade que desabou
repentinamente, após um dia quente e quase sem nuvens,
naquele sábado 20 de janeiro de 1996, movimentou por várias
horas o Corpo de Bombeiros, pertencente à 13a. Companhia.
Alguns atendimentos se deram em vários bairros, em virtude
de deslizamentos leves, de alguns muros e paredes tombados e árvores
centenárias arrancadas pela fúria do vento. O temporal
desabou por volta de 18:00 h. Antes o dia foi absolutamente rotineiro
para os poucos membros da gloriosa e heróica Companhia.
O quartel amanheceu calmo, com os plantões de sempre, alguns
preferindo exercícios físicos matinais.
Faltando poucos minutos para as oito e meia daquela manhã,
o telefone tocou. Não era um pedido de socorro. Era uma
ordem. Quatro homens correram ao carro-pipa e se dirigiram para
os fundos do Jardim Andere, na divisa com o pasto que separa o
bairro do Jardim Santana. O dia estava fadado a apresentar incríveis
contrastes com a paradeira forçada pelo clima. Este só
reagiu aos fatos inéditos quase ao anoitecer, com a queda
da tempestade, que forçou os bombeiros de Varginha ao corajoso
trabalho a que estão acostumados.
Porém, pela manhã, o que se passou teria sido aparentemente
um trabalho como os de costume. Mas foi bem sui generis. Até
então a Companhia limitava-se aos atendimentos de socorro
e à captura de animais peçonhentos ou inconvenientes,
bem como de alguns espécimes selvagens que de quando em
vez costumam aparecer em fazendas próximas, que são
apanhados para preservação e cuidados no zoológico
municipal. Não são muitas as notícias de
ocorrências naturais com prejuízos ou vítimas.
Há o registro de alguns tremores de terra ocorridos na
região, com epicentro no Município de Varginha.
Um deles foi objeto da atenção especial de sismólogos
do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.
O fenômeno foi analisado e resultou em minucioso relatório
elaborado pelos professores Armíngulo A. Bueno Pérez
e Ney Avelino Barbosa Seixas, do Departamento de Geofísica,
Setor de Sismologia, do referido órgão. De um resumo
literal do relatório decorre que, em 19 de março
de 1982, entre 07:15 h e 07:30 h, hora local, foi sentido um forte
estrondo acompanhado de vibrações de janelas, portas
e paredes, bem como estremecimento de terra, nas cidades de Varginha
e Elói Mendes (distante 14 km). O estrondo também
foi sentido na cidade de Três Corações com
menor intensidade. O epicentro (ponto sobre a superfície
da Terra correspondente ao ponto do interior terrestre onde se
origina o movimento sísmico) foi localizado aproximadamente
a 4 km de Varginha e na direção sudoeste. A intensidade
máxima foi estimada em grau IV na Escala Mercalli Modificada.
A classificação nesses graus considera os efeitos
do sismo no homem, na natureza e nas construções.
No grau IV notam-se oscilações de objetos pendurados
e vibrações como as produzidas pela passagem de
um caminhão pesado. Ouve-se um estrondo como o resultante
da queda de um objeto pesado. Armaduras e paredes de madeira rangem.
Os técnicos concluíram que provavelmente a origem
foi tectônica, apesar de a análise das feições
tectônicas da área afetada não ter permitido
com certeza definir a natureza do abalo. O fenômeno teria
sido muito superficial.
Levantamentos estatísticos através dos tempos fizeram
concluir que o sul de Minas Gerais é uma das regiões
de maior número de registros de supostas manifestações
de cunho ufológico. Dos estudos ainda decorreu que regiões
com características geológicas típicas e
semelhantes são exatamente as mesmas que apresentam tanta
atividade desse fenômeno ainda carente de respostas definitivas.
São conhecidos os trabalhos baseados em ortotenias, cujos
pioneiros foram F. Lagarde e Aimé Michel, na década
de 50. As ortotenias, num resumo superficial, seriam linhas imaginárias
mas bem simétricas e aparentemente pré-definidas,
seguidas pelas trajetórias de alegados objetos voadores
não identificados1. O relatório decorrente dos abalos
em Varginha comprovou mais uma vez que essas áreas de atividade
ufológica são marcadas na maioria por algum tipo
de falha geológica. Os cientistas que o elaboraram falam,
versando sobre a história sísmica da região,
que no Brasil a atividade sísmica “consiste de eventos
tectônicos de moderada magnitude e de pequenos abalos sísmicos
que na maioria das vezes são produzidos por vibrações
decorrentes de abatimento de cavernas calcáreas, por acomodações
de camadas litológicas de pequeno porte ou por sismos induzidos
por reservatórios hidráulicos de grande porte, poços
artesianos e aqueles induzidos pela passagem de ondas sísmicas
de terremotos com origem na região andina”. Sem embargos
de que cavernas calcáreas encontram-se em alguns pontos
por perto e a região é praticamente toda cercada
pelas águas da Usina Hidroelétrica de Furnas, que
conseqüentemente oferecem grande pressão sobre as
camadas superficiais.
Ilustrando seus estudos com um mapa geológico, os geofísicos
destacam que “...existe uma distribuição densa
de epicentros na região sul de Minas Gerais”. Informam,
ainda, que cidades bem próximas, como Elói Mendes,
Três Corações e Boa Esperança, já
sofreram vários abalos sísmicos, sendo que alguns
deles chegaram a assustar a população, principalmente
na cidade de Boa Esperança. Tal localidade tem um bom número
de registros de avistamentos ufológicos. Com base no mesmo
relatório pode-se afirmar com segurança que a localização
de Varginha possui falhas geológicas. O mapa geológico
mostra que a região que abrange a área de Varginha
está configurada por um sistema complexo de falhamentos,
principalmente dos tipos de transcorrência e de empurrão,
estando dividida em pequenos blocos tectônicos apresentando
estruturas de desdobramentos.
Relacionando os abalos sísmicos sentidos em Varginha a
questões das grandes estruturas oceânicas, como os
lineamentos do Atlântico Sul, os técnicos ressaltam,
ainda, que a presença dos falhamentos “...não
é suficiente para ser atribuída à ocorrência
de abalos sísmicos, isto é, ainda não há
estudos nessa área que demonstrem que as falhas antigas
se encontram num processo de reativação”.
Como quer que seja, as informações que obtiveram
na pesquisa permitiram inferir que o estrondo estaria associado
a um fenômeno superficial de origem tectônica, já
que nesta área existem falhas geológicas [destaque
do autor]. Resta evidenciado que a área de Varginha, como
a grande maioria das regiões de atividade ufológica
intensa, encontra-se também caracterizada por falhas geológicas.
No que diz respeito ao clima, quando ocorrem chuvas de granizo,
estas chegam quando muito a causar os indesejáveis estragos
em plantações e a impedir a boa colheita do café,
ocasionando aí sim prejuízos que influenciam fortemente
a economia da região. Notícia de um granizo incomum
vem da cidade de Andrelândia, também no sul do Estado,
distante 310 km de Belo Horizonte e 150 km de Juiz de Fora. Na
data de 8 de março de 1993, em plena segunda-feira ensolarada,
nenhuma nuvem no céu, por volta de 10:40 h, cerca de 15
pessoas se encontravam passeando num pasto que fica a apenas um
quilômetro da cidade. Lá existe uma olaria, em que
alguns homens trabalhavam para acelerar sua modesta produção,
algumas crianças brincavam e casais andavam pelo morro
aproveitando o sol da manhã. Todos voltaram os olhos para
o céu atraídos por um ruído forte, um zumbido,
que foi aumentando de intensidade à medida que um aparente
rastro de fumaça foi-se engrossando, quase verticalmente.
O rastro era antecedido por um núcleo esbranquiçado
e arredondado, que se chocou fortemente contra o pasto, abrindo
uma pequena depressão. As pessoas que ali estavam correram
para perto daquele corpo que, mesmo no chão, ainda exalava
uma névoa como se estivesse evaporando. Para surpresa dos
homens que chegaram primeiro, o objeto tratava-se de um enorme
granizo, uma bola de gelo pardo, irregular, cujo aspecto era de
que se encontrava em baixíssima temperatura, já
que a aparência externa era bem fôsca e cheia de ranhuras,
tal como ocorre com um objeto retirado do congelador.

Cortesia
Claudeir Covo (Detalhe Cortesia do Autor) |
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Vista
aérea da mata que fica dentro da cidade e do
pasto em que se deu a primeira captura. Ao lado, uma
das enormes pedras de granizo que caíram sobre
Andrelândia
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Na
cidade existe o Núcleo de Pesquisas Arqueológicas
do Alto Rio Grande, formado por amantes de Geologia, Arqueologia
e História. Os membros do grupo foram imediatamente acionados
por alguém que se encontrava no pasto e cuidaram da conservação
do objeto. Ao que se saiba, portanto, este foi o único
caso de granizo que chegou a incomodar a região. Aliás,
diria o bem humorado, um único granizo, mas que causou
perplexidade. Uma perplexidade que faz lembrar, ao mesmo tempo,
uma espécie de preconceito que certos homens de ciência
têm contra os leigos, mormente quando estes desejam cuidar
de algo não incorporado pelos meios acadêmicos, como
é o exemplo do Fenômeno UFO. Geralmente o que se
destaca nas afirmações dos pesquisadores reconhecidos
pelo meio acadêmico, é a falta de costume do leigo
de agir científica e metodicamente diante de certas ocorrências.
O que antes de tudo deve ser observado, no entanto, é que
nem sempre os recursos melhores para a coleta de um material de
pesquisa se acham nas mãos dos órgãos ou
institutos credenciados. Por vezes há uma maior facilidade
de ação por parte dos leigos, ou até de curiosos,
adjetivos que quase sempre servem para definir ufólogos,
a prioristicamente.
No caso do granizo de Andrelândia, as coisas se passaram
mais ou menos assim, e ao que parece coube ao ufólogo registrar
um fato de significativa curiosidade. Para evitar um rápido
e inevitável esquecimento. O objeto caiu no Sítio
Tenda, próximo a uma cerca de arame e de um pequeno grupo
de árvores. O proprietário do sítio, Pedro
Paulo Rezende Godinho, encontrava-se próximo ao ponto de
impacto, no momento da queda. Ouviu um barulho no céu,
pelas suas costas, que comparou a um enxame de abelhas. Ao voltar
os olhos constatou que um objeto esbranquiçado já
se encontrava no solo. Tocando com as mãos, teve uma sensação
de frio. Revolveu a terra com outras testemunhas, sentindo um
forte cheiro, mais tarde comparado ao de massa de pão fermentada.
Outro rapaz, que se encontrava com o sitiante, apanhou o objeto
nas mãos, conduzindo-o à sede da propriedade, embrulhando-o
em plástico, acondicionando num recipiente de isopor com
gelo. Levaram o material até a Santa Casa de Misericórdia
local, exibindo-o a um médico, que se eximiu de opiniões,
apesar de haver também tocado diretamente naquele granizo.
De lá o material foi conduzido para um laboratório
de análises clínicas.
Ao impactar o objeto teria esfarelado e seus esporos se transformaram
em grãos amarelados que logo derreteram. Os dois homens
que mantiveram o material nas mãos por vários minutos
afirmam categoricamente que apesar de ser gelo o frio não
chegou a incomodar, nem a provocar falta de sensibilidade. Bom
momento para dizer que o objeto não derretia, na verdade.
Sublimava. Passava de sólido para gasoso e aparentava ser
extremamente volátil, de uma leveza aparente. O presidente
do Núcleo, Marcos Paulo de Souza Miranda, raciocinando
corretamente, tentou de imediato um contato com o Museu de Astronomia,
do Rio de Janeiro, com a intenção de levar o material
à análise competente do mundialmente reconhecido
astrônomo e professor Ronaldo Rogério de Freitas
Mourão. Uns dois telefonemas resultaram na promessa de
que um astrônomo mais próximo deveria ser acionado,
por questões de conveniência e melhores recursos
financeiros. Mourão teria, então, comunicado a precipitação
do material ao professor Antonio Resende Guedes, chefe do Departamento
de Geociências da Universidade de Juiz de Fora, astrônomo,
físico e filósofo de alta estirpe, o que se conclui
facilmente com poucos minutos de diálogo com ele.
As mesmas razões foram, no entanto, apresentadas pelo professor
Guedes ao sugerir que, por questão de prática, um
interessado nesse tipo de fenômeno fosse por sua vez acionado,
pelo que a tarefa recaiu sobre um ufólogo, o autor deste
livro. Lamentavelmente, o acondicionamento do material em reservatório
especial com nitrogênio líquido (que chega a atingir
196 graus abaixo de zero), uma leitura prévia do granizo
com contador Geiger e leitura de níveis de radiação
com caneta dosimétrica, instrumental caro, gentilmente
cedido por uma empresa multinacional instalada em Varginha, de
pouco adiantaram. Não foi possível a análise
conclusiva do material na Universidade de Juiz de Fora e o que
restou do objeto foi tomado de volta pelo Núcleo de Arqueologia,
ao que se saiba apenas um restolho da mistura utilizada na tentativa
de análise. As justificativas do astrônomo de Juiz
de Fora foram as mais claras e sinceras possíveis, no sentido
de que não houve condições para análise.
Mesmo que aquele cientista, cuja respeitabilidade salta aos olhos,
tenha por outro lado comentado informalmente que possa ter havido
algum tipo de hesitação na divulgação
das eventuais conclusões, caso tenham sido possíveis.
Pelo que, resta a realidade da investigação e da
pesquisa científicas neste país. Qual seja, a de
que não se deve iludir com amplas possibilidades, pois
que estas são raras.
Muitos acreditam que tudo possa ser facilmente analisado, que
o interesse do círculo acadêmico é amplamente
demonstrado diante de alguns fenômenos, e que os meios para
tanto sejam claros e eficientes. Nem sempre é bem assim.
Isto tem dois aspectos que influenciam diretamente os pesquisadores
de ocorrências não convencionais como UFOs. De um
lado, as pesquisas e análises, mesmo rudimentares e elementares
que certos ufólogos conseguem, muitas das vezes superam
até o que podem alguns reconhecidos institutos. E quando
o conseguem, por isto mesmo há um verdadeiro ato louvável
da chamada Ufologia Científica. Sob o outro aspecto, não
é nada tranqüilo para os amadores e leigos em certas
disciplinas acadêmicas conseguirem o efetivo apoio técnico
que desejariam dos meios oficiais. Não vai aqui qualquer
tentativa de ao menos insinuar algum feito heróico, apenas
pelo fato de se ter resgatado um material que precipitou do espaço,
para entrega a uma universidade para análise. Mas esta
realidade quase sempre é a que caracteriza a pesquisa ufológica,
em confronto com a investigação acadêmica.
As coisas não são como se imagina, nem como se gostaria
que fossem. Inegável, no entanto, que existam pontos comuns,
que devem ser reconhecidos pelos homens das ciências oficializadas
ou regulamentadas, a favor da pesquisa ufológica. Por exemplo,
a acusação de mania de conspiração
já mencionada, que recai sobre os investigadores ufológicos,
às vezes também está presente nos pesquisadores
titulados. A descompromissada menção de que poderia
ter havido um sigilo na análise do material de Andrelândia,
por alguma razão de conveniência, quiçá
até diplomática e ética – imaginem-se
os detritos de latrinas de aviões, sendo soltos a bel prazer
em quaisquer espaços aéreos; ou ainda a ejeção
aleatória de restos químicos e biológicos
de experiências realizadas em ônibus espaciais ou
estações orbitais –, demonstra que a conspiração
não é simples mania de ufólogo. Ela pode
existir em todas as mentes, até nas mais privilegiadas.
Afinal, a maior estratégia de todas as atividades humanas
é o sigilo, prévio ou continuado. Quer na política,
quer nos negócios, quer nas descobertas que marcaram a
Ciência. Esse sigilo só é chamado de conspiração
quando se fala de assuntos ufológicos? As justificativas
não costumam convencer.
Dois adultos e algumas crianças acercaram-se de um animal
incomum. Assim era a seus olhos. Estas jogaram alguns pedregulhos.
O animal se moveu lentamente e desceu mais alguns metros pelo
pasto, logo após a via asfaltada que divide o grande terreno
vago, indo em direção à linha férrea.
Estivera provavelmente escondida, talvez por algumas horas, na
floresta de eucaliptos abaixo, e tentara adentrar a área
de construções. Acuada, recuou. Conseguiu manter-se
fragilmente escondida até que os bombeiros sargento Palhares,
cabo Rubens, soldado Nivaldo e soldado Santos, chegaram e iniciaram
uma busca acirrada, que durou cerca de duas horas. Neste ínterim,
a cerca de 25 km de Varginha a unidade mais próxima do
Exército, a Escola de Sargentos das Armas (EsSA), de Três
Corações, foi avisada pelo quartel da Polícia
Militar, que já se encontrava alerta e instruída
para fazer um comunicado quando algo incomum fosse noticiado ou
observado2. E um caminhão de transportes de tropas lonado,
marca Mercedez Benz, parou na última rua do quarteirão,
logo após a esquina que lhe dá início, relativamente
próximo de onde se encontrava o carro-pipa dos bombeiros.
Dois tenentes, um sargento e dois soldados compunham a viatura.
Intensificou-se uma busca nervosa. Imediatamente os civis curiosos,
que ali já se encontravam, foram concitados a debandar.
No instante em que a captura se deu. Ainda esboçando reação
de escapar, a criatura foi imobilizada por uma rede de couro,
atirada por dois bombeiros. Os quatro soldados do fogo traziam
ainda luvas de couro e feltro. Enrolado na rede, o ser foi colocado
na carroceria do caminhão de tropa, dentro de uma caixa
de madeira, prévia e claramente preparada para tal finalidade,
fechada por um pano que a envolveu de todo. A ocorrência
era mesmo incomum, tanto que instantes que antecederam a captura
o comandante da guarnição de bombeiros, o major
Maciel, foi solicitado por rádio que comparecesse rapidamente
ao local. A criatura emitia um zumbido, audível por quem
estivesse próximo. Com veemência, no local foi lembrada
a ordem de absoluto sigilo e o caráter secreto do que acabara
de se passar. O caminhão arrancou para fora da cidade,
tomando uma via expressa que contorna o lado leste. Dirigindo-se
para a Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações.
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Cortesia
do Autor |
Ao
início da pequena mata, descendo o barranco,
os bombeiros efetuaram a primeira captura, aproximadamente
onde se encontra esta pessoa. Agora o local está
tomado por construções e casas já
habitadas (detalhe) |
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Já
na segunda-feira, dia 22, o major Maciel não seria mais
o comandante da guarnição local dos bombeiros, tendo
sido transferido logo depois para a Companhia de Poços
de Caldas, a 151 km de Varginha. O Comando foi temporariamente
assumido pelo capitão Pedro Alvarenga. A criatura fora
capturada viva. E viva chegara até a referida Unidade do
Exército. Em seguida, o capitão, que assumira o
comando da companhia logo na segunda-feira, negou de forma pouco
criativa até a simples presença dos bombeiros naquele
local. E aqui iniciaram-se fatos paralelamente lógicos.
Em pleno sábado de manhã não seria possível
esconder uma movimentação desse tipo. Como certamente
os ufólogos foram subestimados, ou não se supunha
que alguém pudesse avançar além da conclusão
de que havia ocorrido meros boatos a serem esquecidos pela população
local, a tática improvisada inicialmente, com certo descaso,
teve que ser mudada às pressas, um pouco tarde. As pessoas,
adultos e crianças, estas que chegaram a tentar fazer a
criatura mover-se atirando alguns pedregulhos, receberam ordem
de circular, retirando-se do local. Dois desses homens subiram
a rua e foram avistados por um ajudante de pedreiro.
O servente Henrique José de Souza avistara o caminhão
do Corpo de Bombeiros estacionado próximo ao terreno onde
se dera a captura e indagou daqueles homens o que se passava lá
embaixo. Disseram-lhe que os bombeiros haviam capturado um animal
estranho e determinado que se retirassem, com o que ficaram surpresos.
Tais homens nunca puderam ser localizados, mesmo porque o servente
de pedreiro não os conhecia. Uma das crianças, porém,
foi identificada pela insistência, na região, de
dois repórteres de uma tevê local. Seu comportamento
posterior, perante a investigação, resultaria em
uma impressão de que testemunhara algo muito importante
e diferente. Vem recusando qualquer conversa, o que a princípio
demonstra um ponto favorável à sinceridade de testemunhas,
que se tornam arredias aparentemente por terem presenciado um
fato chocante.
Henrique surgiu como uma bomba em rede nacional de televisão,
dizendo com ingênua naturalidade que realmente avistara
o caminhão do Corpo de Bombeiros no local, logo pela manhã,
ao ajudar a bater uma laje em uma construção distante
cerca de 100 m, em meio a algumas outras obras, logo acima. E
que as pessoas presentes lhe haviam dito, apenas, que “...os
bombeiros pegaram um bicho estranho lá”. Discreta,
mas decisivamente, as contradições inexplicáveis
começavam a surgir, e, melhor, denunciadas por testemunhas
de situações e fatos indiretos, que tornavam indubitável
a evidente intenção, sabia-se lá de quem,
de esconder eventos de um sentido no mínimo fantástico.
O servente, após ter aparecido em rede de tevê, foi
procurado pela
Polícia Civil local, que indagava de sua origem, profissão,
laços familiares etc.
Logo depois explicaram-lhe que uma senhora de outro Estado ligara
para a delegacia, pois assistira à reportagem sobre o caso
na tevê e tivera a impressão de ter visto um filho
que saíra de casa há mais de 15 anos. A polícia,
então, estava contribuindo para a busca do filho, entre
as pessoas de Varginha cuja imagem aparecera na reportagem. Henrique
afirma que jamais chegou a ser pressionado ou maltratado, ao contrário,
os policiais haviam se dirigido à sua residência
e local de trabalho demonstrando gentileza e objetividade. Posteriormente
soube-se que a pessoa procurada pela senhora que assistira ao
programa era exata, e coincidentemente, Eurico Rodrigues de Freitas,
o caseiro de fazenda que avistara o objeto fusiforme na madrugada
anterior, sobre o pasto, dirigindo-se para os lados do Bairro
Santana.
Outra testemunha resolveu aparecer um ano após os acontecimentos.
Alegou que ele e a esposa resolveram que não poderia mais
esconder que havia presenciado alguns bombeiros retirando um corpo
enrolado em uma rede naquele dia 20 de janeiro, ao assistir a
divulgação das pesquisas pela Imprensa. Uma esperança
sempre presente em meio aos ufólogos brasileiros que se
envolveram no caso foi exatamente esta. A de que, com o passar
do tempo, pessoas que soubessem de algo mais procurassem os investigadores,
com a consciência de que haviam participado, de alguma forma,
de eventos sérios. Com o correr dos meses isto veio a acontecer
eventualmente. João Bosco Manoel vendia peixes congelados
nas imediações do Bairro Santana e Jardim Andere,
carregando uma caixa de isopor. Crê que por volta de 11:00
h, subia pela rua que divide o conjunto de construções
com o pasto que adentra o final do Jardim Andere, tomando posteriormente
a Rua Benevenuto Braz Vieira. De repente, ouviu alguns brados
de policiais fardados que passavam pelo mato que ainda existia
por entre as obras, saindo o grupo logo no terreno baldio que
faz esquina e fronteiriço ao lote em que as três
garotas tinham avistado um ser agachado. Segundo João Bosco
tratava-se de um corpo enrolado na rede, de que ele somente pôde
observar os pés, assim mesmo sem notar detalhes marcantes,
a não ser a impressão de que eram extremamente grandes.
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O peixeiro ouviu o comandante do grupo gritar pedindo por pressa,
extremamente nervoso. Naquele instante sentiu um cheiro fortíssimo
de amoníaco, que lhe fez arderem os olhos. Viu que duas
garotas achavam-se mais ao final da rua, em sentido contrário,
e que tapavam as narinas, possivelmente incomodadas pelo mesmo
cheiro repelente. Tais garotas afastaram-se rapidamente. Como
aqueles policiais iniciaram uma apressada descida pela rua, Bosco
resolveu subir no parapeito do alpendre de uma casa, quase à
frente do lote, quando conseguiu avistar os bombeiros subindo
no caminhão pipa, com sua carga um tanto lúgubre.
O veículo afastou-se em desabalada carreira. Quando se
trata de testemunha, não se podem utilizar conceitos vulgares
de “idônea” ou “não autêntica”.
Somente as circunstâncias, bem como as afirmações
paralelas decorrentes de outros depoimentos podem oferecer uma
base mais próxima para a aceitação daquilo
que a testemunha depõe.
João Bosco Manoel abrange características múltiplas
de uma testemunha complexa para ser analisada. Suas assertivas
em nada diferiram, a princípio, de tudo aquilo que já
era público e notório, através da divulgação
intensa por órgãos de comunicação,
a respeito do caso. Basicamente afirma que avistara bombeiros
retirando um corpo enrolado numa rede do mesmo sítio que
fora o principal palco dos fatos divulgados, mesmo porque o avistamento
das três garotas tornara-se o pivô de tudo. Elas eram
até então praticamente as únicas testemunhas
conhecidas, dadas a público por meio de um intenso interesse
da Imprensa. Durante aquele primeiro ano, desde 20 de janeiro
de 1996, não apenas todas as principais redes da televisão
brasileira já haviam feito reportagens longas e detalhadas
a respeito dos alegados incidentes, quanto os maiores jornais
já os haviam trazido por diversas vezes e quase sempre
em primeira página. Daí que qualquer um, desejoso
de passar a fazer parte da notoriedade que o caso permitia, poderia
muito bem aparecer alegando que, mesmo não podendo afirmar
ter visto qualquer criatura extraterrestre, avistara militares
carregando um corpo em uma rede. Já se comentava por todos
os cantos as circunstâncias por que se dera a primeira captura,
entre 10:30 h e 11:00 h, quando bombeiros haviam apanhado o propalado
ser, enrolado em uma rede. Desde o início da grande repercussão
na Imprensa tais detalhes já eram públicos.
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Cortesia
do Autor |
João
Bosco Manoel mostra a posição que tomou
em frente ao lote onde teria avistado bombeiros carregando
um dos seres. Na página anterior, Henrique José
de Souza, o pedreiro que viu bombeiros em operação
durante a captura |
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Por outro lado, a dificuldade reside em não se poder a
priori, nem aleatória ou singelamente, descartar um depoimento
apenas porque nada de novo apresente. Ou seja, se os fatos ocorreram
de certa forma, uma ou algumas testemunhas irão narrá-lo
em suas circunstâncias essenciais, sem necessariamente apresentarem
discrepâncias. Mesmo que, no caso de João Bosco,
uma primeira discrepância tenha se destacado. Afirmava que
presenciara bombeiros passando em meio ao mato que entremeava
as construções, para saírem logo acima, ao
lado do lote em que as garotas haviam tido o avistamento. Porém,
testemunhas militares davam conta de que o ser havia sido apanhado
bem abaixo, próximo da mata de eucaliptos, a cerca de 200
m de distância do ponto em que Bosco dizia terem saído.
Ou os primeiros depoimentos omitiam que após o cerco os
militares subiram, até que chegassem ao ponto onde o caminhão
pipa encontrava-se estacionado (e antes iniciaram uma busca pelas
cercanias, até chegarem à mata de eucaliptos), ou
a nova testemunha não atentara para certos detalhes ao
ver o caso pela Imprensa, cometendo tal contradição
e erro fatal.
A se partir para a última hipótese, considere-se
então que as testemunhas militares, informantes dos detalhes
que estavam sendo objetos de acobertamento, apesar de qualificadas
de forma absolutamente diversa de João Bosco, ou falharam
no detalhe, como aventado, ou depuseram fatos completamente irreais.
Da mesma forma. Evidente que pertencem aquelas a uma classe de
testemunhas mais valiosas, a princípio. Afirmam saber diretamente
das fontes todos os fatos e, mais ainda, muitas dizem ter participado
das ocorrências, direta e pessoalmente. E não teriam
supostamente qualquer razão de contribuir com a pesquisa
ufológica solicitando sigilo e fiéis à sua
consciência de que eventos dessa ordem não poderiam
permanecer segredados. A que nível uma testemunha como
o vendedor de peixes poderia diferir, vez que sua razão
de ordem moral alegada, para procurar os interessados na divulgação,
é exatamente a mesmíssima?
Essa razão parece uma constante em todos aqueles que se
tornaram informantes, mesmo com o passar do tempo, como ocorreu
com alguém que alega ter avistado a queda de um objeto
estranho uma semana antes, nas cercanias dos sítios envolvidos
em toda a trama! Apenas sopesando o comportamento da testemunha
com o passar do tempo, podem se detectar aspectos que possam em
tese tornar seu depoimento desprovido de idoneidade. Assim como
muitos envolvidos jamais caíram em contradições
ou acresceram detalhes antes omitidos3, com a testemunha em questão
já não foi bem assim. O peixeiro acabou por viver
uma verdadeira aventura cinematográfica, que talvez valha
a pena narrar.
Pai de três filhinhas de tenra idade, com uma esposa trabalhadora
e de expressão sóbria, o vendedor de peixes, com
seus 28 anos e boa saúde, tropeçando um pouco na
dicção em virtude de uma breve gagueira, reside
na cidade vizinha de Elói Mendes, a 14 km de Varginha.
Depois de avistar o que acreditava tratar-se do recolhimento de
um cadáver de andarilho, apesar de não ter compreendido
o porquê daquele forte cheiro de amoníaco, Bosco
continuou sua entrega de peixes e foi para casa, apanhando um
ônibus intermunicipal. Mencionou brevemente à esposa
o que presenciara até que viu pela televisão as
primeiras notícias de três meninas que tinham avistado
um ser estranho agachado próximo a um muro, no Jardim Andere,
na Varginha onde se dedicava a ganhar a vida. Pouco tempo depois,
ao assistir a novas reportagens, inteirou-se da divulgação
de que bombeiros haviam capturado uma criatura envolta em uma
rede de couro, à medida que o caso ganhava mais corpo,
com um acompanhamento simultâneo das tevês, rádios
e jornais. Olhou para a esposa espantado e ela não hesitou,
com o mesmo espanto: “Olha! Mas você viu isto!”
Não convinha meter-se naquela estória. Já
se delineava uma discussão pública, mesmo subliminar,
de afirmações de um lado e negações
sistemáticas de outro, ainda que com o devido cuidado,
sem embargos de ambos os lados, por motivos óbvios. Até
que, um ano depois, uma coletiva reuniu em Varginha vários
órgãos de Imprensa, brasileiros e do exterior, para
comunicado de novos resultados das investigações
ufológicas. Foi então que Bosco, alegando que não
acreditava justa a negativa de que sequer uma ocorrência
havia sido atendida pelos bombeiros naquela região, resolveu
falar com a concordância da esposa. Tentou reconstituir
no próprio local todos os passos que dera até avistar
policiais passarem pelo tal lote portando sua carga. No dia 22
de janeiro de 1997 já era assediado pela Imprensa local.
Seu depoimento parou a cidade no jornal de audiência regional,
da Rádio Vanguarda FM, de Varginha, levado ao ar às
11:30 h da manhã.
Era mais uma testemunha que afirmava ter presenciado um momento
importante da captura, e desmentia a afirmação de
que os bombeiros sequer haviam estado naquelas ruas. A entrevista
havia sido gravada uma hora antes e Bosco pôde ouvir seu
depoimento já em casa, quando almoçava. Antes mesmo
do encerramento do jornal alguém bateu palmas ao portão.
A testemunha residia numa modesta casa de fundos, à beira
da estrada que liga Elói Mendes à região
dos lagos de Furnas, que cercam vários Municípios
por quase 300 km em direção noroeste, como Paraguaçu,
Fama, Alfenas, Areado, Alpinópolis, Carmo do Rio Claro,
Passos e outros. Algumas dessas cidades acabariam fazendo parte
de fatos paralelos aos acontecimentos de Varginha, numa onda de
eventos de cunho ufológico sem precedentes. Abriu o portão
de madeira e começou a subir o barranco, quando deparou
com um homem bem vestido, que trajava um terno cinza, louro e
forte, sem cabelos.
O visitante barrou seu caminho, indagando se era o cidadão
que acabara de dar uma entrevista na rádio de Varginha.
Bosco respondeu afirmativamente e perguntou se seu interlocutor
tratava-se de algum repórter ou pesquisador em Ufologia.
O homem limitou-se a dizer que não e a sugerir, objetivamente,
que o peixeiro evitasse falar no assunto dali por diante, já
que não convinha continuar, sendo melhor esquecer. Recusou-se
a se identificar e saiu, impedindo que Bosco o acompanhasse. A
testemunha ainda conseguiu vislumbrar a traseira do automóvel
que conduzia o inesperado visitante. Um automóvel de cor
clara, beje, provavelmente um Mitsubishi importado.
Comunicando o preocupante fato à esposa, olhou minutos
depois pelas cercanias e, notando que nada de suspeito achava-se
por perto, apanhou uma carona e correu para Varginha, à
cata dos pesquisadores do caso. Bosco adotara uma fisionomia carregada,
de visível preocupação e medo. Suava e a
boca estava ressecada. Chegou a chorar, ao narrar a improvisada
visita. Eram quase três da tarde e a cena inesperada chegava
a constranger. Não havia outra saída, estando ou
não a testemunha falando a verdade. A surpresa da visita
do homem sisudo, bem à frente de sua porta, negando-se
a dizer quem era e insinuando uma ameaça, sem ao mesmo
tempo afirmar uma coação mais objetiva, deixava
não apenas a testemunha, mas a todos, perplexos. Era chamar
a Imprensa extraordinariamente, em primeiro lugar a rádio
pela qual a entrevista da testemunha fôra ao ar. A expressão
de surpresa e confusão do casal de repórteres, que
não titubeou em vir correndo, foi a mesma. Não era
esperado que o caso, subitamente, após um ano, tomasse
novamente aquele rumo tão diretamente ligado a uma espécie
de pressão feita sobre testemunhas de casos ufológicos.
Tal como consta da literatura e do folclore de incidentes envolvendo
discos voadores.
Cerca de uma hora depois, a rádio interrompia a programação
normal, o que não é de seu costume, para com manchetes
rápidas anunciar: “Testemunha do caso dos ETs recebe
estranha visita e é pressionada. Maiores detalhes amanhã
no Jornal de Vanguarda”. E o jornal da manhã seguinte
paralisou novamente a cidade, jogando ao ar nova entrevista da
testemunha. A situação exigia isto, sendo ou não
verdadeira. Seria uma forma de proteger o peixeiro contra qualquer
abordagem pouco amigável, dando a público a coação
que dizia ter sofrido. Após a edição, que
provocava comentários incessantes na cidade e em toda a
região, a testemunha foi convidada a dar um depoimento
numa tevê local. A gravação somente seria
feita à noite. Foi-lhe sugerido que concedesse a entrevista
em outra cidade, por alguém não ligado à
equipe de reportagem e ele achou por bem aceitar dar o depoimento
em Três Corações, apesar de seus familiares
terem permanecido na sua própria casa, o que acabou por
se tornar uma incongruência, e sob a hipótese de
verdade da coação, até infantilmente arriscado.
Acabou passando a noite lá. Apanhou um ônibus logo
cedo.
Aproximadamente meia hora depois, ligava de um telefone público
instalado num posto de gasolina do trevo que liga a Rodovia Fernão
Dias à estrada que dá acesso a Varginha. Sempre
nervoso e desta feita mais temeroso, deixou recados insistentes
à procura dos pesquisadores do caso, no sentido de que
estava sendo novamente seguido pelas mesmas pessoas que o haviam
acossado em sua residência. Quando iniciada a procura por
ele, ao chegar seu recado aos pesquisadores, ninguém conseguia
encontrá-lo. Procurado pela estrada, no posto de gasolina,
nenhuma notícia se tinha de João Bosco. Da última
vez que ligara, o fizera para a própria Rádio e
falara de forma entrecortada e aflita, parecendo ter desligado
rapidamente, como se para fugir ou ter que se esconder de súbito.
Não foi possível disfarçar a enorme preocupação
que se estabelecera com João Bosco e não restou
outra alternativa à Rádio, senão a de novamente
interromper, por algumas vezes, a programação musical,
para em edições extraordinárias noticiar
o desaparecimento momentâneo da testemunha, mesmo porque
o chefe de reportagem sentiu-se na obrigação de
ajudar.
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Estrada
perimetral de Varginha seguida pelo caminhão militar
lonado da Escola de Sargentos das Armas (EsSA), que transportou
a criatura capturada pelos bombeiros desde o Jardim Andere
até a vizinha Três Corações
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O
desfecho permitiu que todos respirassem aliviados, mas teve lá
o seu aspecto hilariante. João Bosco alega que após
ter sido abordado próximo da estação rodoviária
de Três Corações pelo mesmo cidadão
que o assediara em casa, desta feita contando com a companhia
de mais dois que permaneciam no Mitsubishi bege, chegou ao trevo,
ligou apressadamente para todos mas conseguiu uma providencial
carona de um conterrâneo que passava naquele instante, correndo
para Elói Mendes e escondendo-se, permanecendo trancado
no próprio quarto! Cerca de dois meses se passaram. Até
que perante uma respeitada repórter de uma das maiores
e mais sérias revistas do País a mesma testemunha
narrou outros detalhes de sua atribulada aventura, iniciada logo
após seu envolvimento com o caso. Desde sua fuga para Elói
Mendes nada narrara do que agora afirmava haver passado. Nova
surpresa e desta vez uma grande decepção, pois visivelmente
passava a cometer claras contradições e, a olhos
vistos, fantasiava.
Em meio à entrevista, durante a qual depunha exatamente
tudo o que havia presenciado, como se dera o assédio, tanto
o primeiro em Elói Mendes, quanto o segundo na rodoviária
de Três Corações, de súbito João
Bosco resolveu afirmar que, procurado novamente por aqueles desconhecidos,
concordara em acompanhá-los até a capital de São
Paulo e ouvir deles a oferta de muito dinheiro, para negar a veracidade
de suas afirmações. Com nuances de um lance policial
singelo e muito explorado, o enredo apresentado pela testemunha
consistia no seguinte: Dias depois, ao se encontrar no terminal
rodoviário de Varginha, aguardando um ônibus para
a sua cidade, foi abordado por duas belas jovens, que solicitaram
que as ouvisse com calma, porque não havia razão
para temer. Que compreendesse sua intenção e ao
menos as escutasse. As moças teriam dito que as pessoas
que o haviam procurado não lhe desejavam causar qualquer
mal ou inconveniências. Mas que ele assistira, naquele 20
de janeiro, a um fato de extrema importância, cuja versão
em detalhes precisaria saber, para concluir que era absolutamente
necessário manter-se em sigilo para evitar um pânico
geral e o ferimento de diversos valores humanos. Claro que a testemunha
usava de palavras diferentes para narrar a abordagem das moças,
acessíveis ao seu modesto vocabulário.
Para ganhar sua confiança, alega Bosco, elas frisaram que
haviam sido mandadas para conversar, já que a presença
masculina de anteriormente poderia provocar-lhe o mesmo receio.
E apontaram dois homens que aguardavam pacientemente ao lado da
rodoviária, encostados em uma Mercedez muito bonita, de
cor azul marinho. A testemunha garante que sentiu confiança
nas jovens e resolveu, com segurança, concordar em entrar
no automóvel e seguir com seus quatro acompanhantes desconhecidos
até São Paulo! Durante a viagem, em que foi tratado
com gentileza e simpatia, foi recebendo informações
entrecortadas a respeito do caso, mas sem ouvir nada de diferente
do que havia sido divulgado pela Imprensa. Tentaram durante todo
o trajeto convencê-lo de manter silêncio, pararam
em um restaurante para que ele pudesse tomar um lanche e a Mercedez
os conduziu para São Paulo. Num apartamento de alto luxo,
na Avenida Paulista a comitiva jantou. E nele os ainda desconhecidos
companheiros de viagem colocaram à mesa um pacote com muito
dinheiro e uma chave de automóvel novo, dizendo-lhe que,
assim que aquiescesse voltar atrás publicamente, obteria
toda aquela importância e mais o automóvel. Na mesma
noite chamaram um táxi, deram-lhe certa quantia para o
ônibus e mandaram-no de volta.
No instante em que tais novidades, nunca antes narradas pelo peixeiro,
foram afirmadas, ficou evidente que seu testemunho deveria ser
definitivamente arquivado, frente ao inegável exagero.
Desde o convencimento de entrar em um automóvel de desconhecidos
que antes davam-lhe ares de ameaça, à concordância
de se dirigir inesperadamente para São Paulo e à
infantilidade de oferecimento de um pacote de dinheiro e automóvel
novo, tudo a partir de uma abordagem por duas belas mulheres num
terminal rodoviário, tornava inconfiável o conjunto
de afirmações da testemunha. Não poderia
haver o luxo de se aceitar parte do depoimento como verdadeiro,
quem sabe o avistamento dos bombeiros carregando o ser numa rede,
para achar normal que uma testemunha passe a exagerar após
a notoriedade em que se envolve pela Imprensa. A Ufologia parece
ter cometido esse erro crasso de valoração de depoimentos
em inúmeros casos célebres.
Em março de 1998, João Bosco reapareceu. Afirma
que se arrepende de haver forjado a estória da viagem a
São Paulo, pois que teria sido a única maneira de
não mais ser procurado pelos pesquisadores ou pela Imprensa,
pois concluíra, juntamente com a esposa, que realmente
não mais deveria prestar qualquer declaração,
receoso de sofrer pressões ou algum prejuízo efetivo,
de ordem pessoal e familiar.