Personagens
misteriosos
18 de janeiro de 1997. Dona Luísa teve de permanecer
até as duas da manhã no emprego, para que sua
patroa cumprisse um compromisso social. Ao ir para casa, estava
sem dinheiro para apanhar um táxi. Desceu a Avenida
Rio Branco, no centro de Varginha, pretendendo percorrer todo
o restante da praça central, passando pelo lado direito
da Igreja Matriz, para apanhar o longo percurso que a levaria
até seu bairro. Não havia ninguém na
rua. Raramente passava um ou outro carro. Um automóvel
de cor preta aproximou-se devagar, dirigido por um homem e
trazendo um outro no banco de trás. Pararam e não
ofereceram, mas disseram imperativamente que iriam lhe dar
uma carona. Assustada, olhou para os lados para ver se algum
fortuito transeunte poderia lhe servir de escudo contra aquela
gentileza preocupante. Não houve alternativa. O motorista
saiu do automóvel, abriu a porta e aguardou, com olhar
frio, que ela entrasse. Com o coração disparado
e começando a suar, dona Luísa reconheceu seu
benfeitor: era o líder dos quatro visitantes de antes,
que haviam comparecido à sua residência.
O automóvel tomou o rumo do Bairro da Vargem, saindo
da cidade. Com menos de um quilômetro de estrada de
terra, parou próximo a uns arbustos. Estava escuro
e sem Lua. O motorista acionou uma luz lateral na parte interna
da capota. “A senhora nos conhece, está lembrada
de mim? A gente já esteve na sua casa. Jamais vamos
fazer algum mal para a senhora”. O cidadão do
banco de trás não pronunciou uma palavra. Ambos
trajavam terno escuro, aparentemente de cor preta, e estavam
engravatados. Estacionaram no pequeno mato logo após
o término do asfalto. O local é fácil
de ser identificado. “Fique calma, que a gente não
vai fazer nada com a senhora. Queremos pedir segredo, mas
daquela vez a senhora acabou conversando com os ufólogos,
foi para a imprensa. Não sei porque, mas a senhora
acabou falando, precipitou-se. Agora, a gente vai falar mais
a sério com a senhora, pode ficar tranqüila e
confiar na gente”.
É óbvio que o insistente MIB desejava, a todo
custo, convencê-la a se sujeitar a um plano de reconsideração
do que ela e as filhas tinham afirmando publicamente. E o
fazia utilizando-se de uma mansidão destinada a convencer
uma modesta cidadã. Eles pediam para que ela e as meninas
dessem um depoimento renunciando a tudo que já haviam
declarado, “que tudo não tinha passado de uma
brincadeira que assumiu proporções muito grandes”.
Para que dona Luísa ficasse mais tranqüila, prometeu
aquele senhor que tal entrevista seria gravada na própria
cidade de Varginha, num local discreto e previamente preparado.
Para tanto, as três garotas afirmariam que haviam fantasiado
o que viram, confundido, por exemplo, um amigo que se vestira
estranhamente com a finalidade de assustá-las, algo
assim.
Ilustrações
Philipe Kling David
Cenas
da Captura dos Seres
supostamente alienígenas, em Varginha.
Os soldados da ESA se reúnem com os bombeiros
no Jardim Andere.
A estes últimos coube a captura, com uso
de redes de couro. Por fim,
os militares acomodam uma das criaturas numa caixa
de madeira sobre
o caminhão e partem |
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