Incidentes
extraordinários
Por exemplo, enquanto qualquer tipo de fato possa significar
apenas o efeito de boatos, gerados por espanto e superstição,
não é garantido que todos os fatos que ocorrem
sejam somente frutos de rumores. Aqui vem à tona a
comentada mania de conspiração, que parece escolher
os ufólogos nos últimos 20 anos, principalmente
porque inspiram filmes e seriados de televisão cinema.
Só não se usa essa hipótese para explicar
as constantes conspirações de que vive a política,
o comércio, as guerras e até as ciências,
que trabalham com sigilo e disfarce de suas intenções
e projetos, até que se chegue aos efeitos almejados.
Quando, entretanto, a Ufologia argumenta a existência
do acobertamento militar e governamental de ocorrências,
isto só pode ser um transtorno enfeitado por fantasias.
Não se negue, por outro lado, que nem os ufólogos
lograram demonstrar quais seriam as verdadeiras razões
desse sigilo, da negação sistemática
de fenômenos ufológicos por parte de forças
armadas e governos.
Em O Caso Varginha, obra que publiquei pela Coleção
Biblioteca Ufo, comentei que seguramente não se sabe
de tudo o que se passou em Varginha naqueles dias de 1996.
Nem de como as coisas aconteceram no interior dos hospitais
para onde as criaturas foram levadas. Pelas dezenas de testemunhas
oculares que temos arrolado, uma intensa operação
tomou conta dos setores envolvidos em questão de 48
ou 72 horas, após as capturas. Posteriormente, o que
surgisse mostraria que os incidentes foram muito mais complexos
e extraordinários do que se poderia supor. Que tipo
de autoridade teria interferido direta ou indiretamente num
processo de abafamento quase totalmente eficaz, a ponto de
conseguir o silêncio de um sem número de pessoas,
profissionais e autoridades, mesmo que muitos resolvessem
logo que o sigilo seria no mínimo injusto? Quais os
subterfúgios, os meios utilizados para impor tal convencimento?
Possivelmente, razões de ordem estritamente subjetiva
e pessoal tivessem sido evocadas para silenciar tais cidadãos
ou argumentos do tipo “evitar-se um pânico geral
e a revolução não gradativa de princípios
religiosos e científicos”. Tudo unindo-se a uma
espécie de incentivo dessas pessoas envolvidas. Por
certo, essa tranqüilidade provocada tenha deixado em
todos uma sensação de importância, que
propiciou seu silêncio. E talvez uma suposição
como esta seja mais aceitável do que acreditar que
cidadãos tenham sido desrespeitosa e ilegalmente coagidos.
Eis o que se insinua até aqui. Casos ufológicos
podem parecer extraordinariamente inaceitáveis em suas
bases, ou seja, a ocorrência do próprio fenômeno
como tal. Porém, não se deve buscar nos seus
enredos, com pensamento pré-concebido, fatos isolados
que possam ter a mera aparência de fantasiosos, quando
se bem observados talvez representem, com coincidências
curiosas, passagens verdadeiras que posteriormente inspiram
a ficção. Não ao contrário, como
alguns adeptos de explicações fáceis
preferem. Veja-se o exemplo do antigo mito dos Homens de Preto
[Do inglês Men in Black ou MIB], que em suma seriam
agentes de inteligência que perseguiriam testemunhas
de casos ufológicos, hoje confundidos pelos mais jovens
com personagens de comédias cinematográficas
ricas em efeitos especiais, a ponto do mito ter sofrido transformação
para figuras que perseguem extraterrestres.
O Caso Varginha não escapou dessa lenda da Ufologia.
Como se sabe, a mãe das três garotas (as testemunhas
civis mais conhecidas), dona Luísa Helena, recebera
a visita de homens que insistiam pela retratação
pública delas. Não se divulgou tanto que, tempos
depois, os tais MIBs teriam retornado. Propositalmente, em
O Caso Varginha essa volta foi usada para destacar a possível
naturalidade dessa visita, em vez de ser considerada tão
enigmática ou fantasista.
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